Imóveis para venda ou aluguel se tornam alvos fáceis; placas indicativas chamam atenção de bandidos e preocupam donos e corretores.
Alexandre Mansinho
Na última semana, em um bairro central de Ourinhos, uma casa desocupada que estava para locação foi palco de mais um caso de roubo. O imóvel, que exibia uma placa de “aluga-se”, teve vários metros de cabos elétricos arrancados por um bandido. O ladrão foi surpreendido através da Polícia Militar enquanto tentava fugir, graças à rápida ação de vizinhos que notaram a movimentação estranha e acionaram as autoridades.
Apesar desse final com a intervenção policial, a realidade é que, na grande parte das vezes, os bandidos conseguem sucesso nos furtos, deixando prejuízo para os donos e muita dor de cabeça para os corretores.
Os imóveis desocupados viraram alvos de bandidos – Foto: Alexandre Mansinho
Mercado imobiliário se adapta para driblar os furtos
As placas de venda ou aluguel, que sempre foram uma ferramenta básica no setor imobiliário, tornaram-se um risco em Ourinhos. Diante da frequência dos crimes, muitos corretores já mudaram a forma de anunciar imóveis desocupados.
Júnior Vasconcelos, corretor de imóveis e especialista no mercado local, explicou ao EN DIA Negocião as medidas que adotou para proteger os clientes. “Em casas que estão sem ninguém morando, eu não estou colocando placas de venda ou de aluguel, porque sei que vai dar problema para o dono“, relatou.
Júnior Vasconcelos, corretor de imóveis – Foto: Arquivo Pessoal
Segundo Vasconcelos, o prejuízo pode ser grande: “Em alguns casos eles levam, além da fiação, torneiras, lustres e tudo que possa vender para comprar drogas. Tive um cliente que, em sua residência, os bandidos entraram, roubaram o que puderam e furtaram as torneiras, deixando a água jorrando.”
Ele reforça que a adaptação é a melhor forma de impedir maiores perdas: “Eu sou prejudicado, como corretor, por não colocar a placa, mas o proprietário perde dinheiro quando os bandidos furtam a fiação da residência. Nos meus 15 anos de profissão, sempre trabalhei pensando no que eu posso fazer para ajudar meu cliente. Pra mim, não ter a visibilidade das placas abre um caminho de fazer um trabalho diferente e ajudo a diminuir esse tipo de crime.”
Fios, cobre e sucata: o caminho do roubo até o mercado ilegal
Para a Polícia Civil, a situação é preocupante, mas continua um padrão conhecido. O delegado Dr. João Beffa comentou sobre as investigações: “Esses furtos são realizados, na maioria das vezes, por usuários de drogas que procuram material de fácil revenda e de alta demanda. Eles furtam fios e cabos de energia de residências desocupadas, geralmente à noite, protegidos pela escuridão.”
Beffa destacou a dificuldade no enfrentamento a esse tipo de crime. “Depois, derretem o material e repassam para pessoas que compram sucata. A investigação é bastante difícil, pois não existe como reconhecer o produto do roubo e são materiais de baixo valor. Os usuários acabam conseguindo poucos reais através do material e logo usam para comprar entorpecentes“, explicou.
Ainda segundo o delegado, tanto a Polícia Civil quanto a Militar tentam agir preventivamente: “Realizamos operações nos ferros-velhos e a Polícia Militar mantém a vigilância no trabalho de policiamento ostensivo, mas os criminosos também usam de estratégias para terem sucesso.”
Sucateiros da área estariam envolvidos no comércio ilegal
A equipe do EN DIA Negocião conversou também com um catador de materiais recicláveis, que preferiu não se reconhecer. Segundo ele, os receptadores desse tipo de material muitas vezes não estão nem no município.
“Não vou dizer em quais cidades esses receptadores estão, eu não sou doido, mas posso assegurar que aqui em Ourinhos os caras dos ferro-velhos já estão todos encanados e morrem de medo de dar problema“, revelou.
Alternativas para anunciar imóveis e impedir prejuízos
Além de eliminar as tradicionais placas indicativas, profissionais do setor têm apostado em novas estratégias para divulgar imóveis desocupados, como visitas agendadas, destaques online e até tour virtual.
A combinação entre tecnologia e atenção da vizinhança tem se mostrado a melhor defesa contra uma realidade que preocupa tanto moradores quanto as forças de segurança. Enquanto isso, os bandidos continuam de olho em qualquer oportunidade, e o município tenta driblar, como pode, essa verdadeira epidemia de furtos.
Com informações de Negocião

